Cidades que fazem divisa com Maranhão e Pará discutem medidas para evitar entrada da cepa indiana do coronavírus no TO

Duas cidades estão adotando barreira sanitária enquanto outras discutem medidas de prevenção. MPE deu prazo de cinco dias para Secretaria de Estado da Saúde (SES) esclarecer o que vem fazendo.


Por G1 




Ponte entre Tocantins e Maranhão em Aguiarnópolis — Foto: Divulgação/Governo do Tocantins



Cidades que fazem divisa com o Maranhão e Pará estão discutindo medidas de prevenção para tentar evitar a entrada de uma nova variante do coronavírus no Tocantins. Até o fim da semana passada seis casos da cepa indiana tinham sido registrados no estado maranhense, sendo que pelo menos 100 pessoas tiveram contato com os estrangeiros infectados e estavam sendo monitoradas pelo governo local.

Ontem terça-feira (25), o Ministério Público Estadual (MPE) pediu informações para a Secretaria de Estado da Saúde (SES) sobre as medidas que estão sendo tomadas pelo governo do Tocantins para previr a chegada da nova cepa ao estado. A SES informou ao G1 que ainda não adotou nenhuma medida. (Veja a nota abaixo)

Em Aguiarnópolis, que faz divisa com Estreito (MA), o secretário Jarmondes Carlos da Silva afirmou que o município vem fazendo uma barreira sanitária há três dias. Os servidores estão fazendo medição da temperatura de quem chega do Maranhão e entregando panfletos informativos. O acesso entre as duas cidades é feito pela BR-230, através de uma ponte sobre o rio Tocantins.

Em Tocantinópolis, cuja divisa é com o município de Porto Franco (MA), uma reunião será realizada nesta terça-feira (25), para debater as providências que serão tomadas. “Estamos levantando algumas estratégias e uma delas deve ser a barreira”, afirmou a secretária Maria Vandeci.


Outra importante divisa entre os dois estados fica entre Imperatriz (MA) e São Miguel do Tocantins. O município tocantinense informou que o comitê de enfrentamento vai reunir nesta semana para discutir a situação devido ao grande fluxo de pessoas entre os dois estados.

Em São Sebastião do Tocantins, na região do Bico do Papagaio, a coordenação da atenção básica informou que o município está organizando para começar uma barreira sanitária com aferição de temperatura dos visitantes, ainda nesta semana. O trânsito entre as duas cidades é feito por meio de balsa.

Em Xambioá, na divisa com o Pará, o secretário de Saúde informou que uma reunião será realizada nesta terça-feira (25) para discutir medidas de prevenção, tendo em vista que há casos suspeitos da nova variante no estado vizinho.

No município de Ananás, há uma reunião prevista para discutir o assunto na próxima quinta-feira (27). O G1 ainda tenta contato com outros municípios que estão na divisa dos dois estados com o Tocantins.

Pedido do MPE

O pedido de informações feito pelo Ministério Público cita a confirmação de casos da nova variante no estado do Maranhão, assim como casos suspeitos no Pará, Ceará e Rio de Janeiro. O MPE deu um prazo de cinco dias para que a Sesau informar se está adotando de contenção, barreira e bloqueio nas fronteiras.

A Secretaria de Estado da Saúde informou que ainda não foi notificada da recomendação do MPE, mas até o momento não há registros de pacientes com suspeita da variante indiana do coronavírus no estado do Tocantins.

"Os casos da nova cepa indiana ainda estão restritos aos Estados que notificaram, que vem realizando as barreiras sanitárias - em conjunto com o Ministério da Saúde - como, por exemplo, o Maranhão e o Distrito Federal", diz a nota.

A SES afirmou ainda que está atenta para o surgimento de possíveis casos e segue as orientações do Ministério da Saúde. "Sendo necessário um plano de contingência, medidas restritivas podem ser avaliadas e adotadas, após consulta e alinhamento com as forças de segurança presentes no Estado".

Riscos da nova cepa

A análise genética revelou que essa variação apresenta mutações importantes nos genes que codificam a espícula, a proteína que fica na superfície do vírus e é responsável por se conectar aos receptores das células humanas e dar início à infecção.

Em linhas gerais, tudo indica que esses "aprimoramentos" genéticos melhoram a capacidade de transmissão do vírus e permitem que ele consiga invadir nosso organismo com mais facilidade.

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