Braide anuncia reunião com rodoviários e empresários para tentar encerrar greve

 Prefeito de São Luís concedeu entrevista exclusiva para tratar do tema para o jornalista Clóvis Cabalau, no quadro bastidores do Bom Dia, da TV Mirante

O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), anunciou uma reunião para às 10h de hoje, na sede da Prefeitura de São Luís, junto ao Sindicato dos Rodoviários e ao Sindicato das Empresas de Transportes (SET), para tentar por fim à greve na capital.

Na reunião, Braide vai oficializar a proposta de um auxílio emergencial para o setor, com a criação do Cartão Cidadão, que vai assegurar passagem gratuita ao desempregado na capital e injetar recursos públicos ao sistema de transporte.

O prefeito da capital rechaçou aumentar o valor da passagem em São Luís. Ele afirmou que em decorrência da crise provocada pela pandemia da Covid-19, esse é um tema que nem deve ser discutido ou cogitado por sua gestão.

"A verdade é que a pandemia mexeu com todos e é por isso que no início do ano nós criamos o auxílio emergencial para o setor cultural. E é essa solução que nós propomos neste momento. Por que? Porque o primeiro caminho que foi apontado, foi o aumento do preço das passagens de ônibus e eu já me manifestei sobre esse assunto e não acho correto neste momento em que as pessoas estão tentando retomar a economia, almejando buscar os empregos que foram perdidos durante a pandemia, ter que arcar agora com esse aumento. Quero aqui reafirmar que nós não teremos aumento nas passagens de ônibus", disse.

Eduardo Braide afirmou que o auxílio emergencial proposto pela Prefeitura vai substituir o reajuste da tarifa na capital. Apesar de não ter citado o valor que será injetado nas empresas de transporte rodoviário, ele garantiu que com o recurso, será possível aos empresários, dar continuidade às atividades na capital.

“E qual é o caminho, qual a solução para que a gente encontre o auxílio da prefeitura em relação a essa relação entre trabalhadores e empresários? Da forma que eu disse: a Prefeitura de São Luís já se dispôs a apresentar um auxílio emergencial para o setor do transporte público. Isso foi colocado em todas as audiências”, declarou.

Braide afirmou que o auxílio emergencial para o setor de transporte público vai garantir passagem gratuita ao cidadão desempregado. Ele explicou que a proposta será detalhada durante a reunião com rodoviários e empresários.

“A ideia e a proposta que esta sendo trabalhada é a criação de um cartão cidadão. A gente tem, durante esse período da pandemia, muitas pessoas que perderam seu emprego. Eu conversei com diversos donos de estabelecimentos, comércios, e que tiveram que demitir as pessoas por conta da dificuldade durante a pandemia. E a gente está chegando agora no período de final de ano, que a gente sabe que tem um aumento na contratação dessas empresas. Então, a ideia é: a Prefeitura de São Luís garantir passagens para essas pessoas, num primeiro momento, que perderam o seu emprego por conta da pandemia. E, assim, a gente ajuda os dois lados: ajuda o trabalhador que está precisando sair de casa para uma entrevista, entregar um currículo, ou até mesmo assinar o seu contrato de trabalho, garantindo uma passagem paga pela prefeitura e, de outro lado ajudar o sistema de transporte público que vai ter essa intenção de recursos. Entendo que é uma medida extremamente justa para todos os lados, a gente tem um alcance muito social em beneficiar, principalmente, aqueles trabalhadores que perderam o seu emprego durante a pandemia, por outro lado a gente leva para o setor público, nesse momento de dificuldade, recursos que ajudarão, com certeza, a gente poder chegar a um consenso e trazer os ônibus de volta para as ruas”, completou.

Contrato - Segundo o prefeito, apesar de estar no contrato a possibilidade de reajuste anual dos preços das passagens, o momento de recuperação econômica em virtude da pandemia exige medidas que não atinjam a população.

“Primeiro é preciso entender que o aumento de tarifa é contratual. Mas a gente tem quem buscar e entender o momento. A pandemia fez com que a relação das pessoas mudasse. Isso aconteceu em várias empresas. Várias empresas tiveram que repactuar os seus serviços, tiveram que repactuar aquilo que estava no relacionamento entre eles e os seus empregados, o governo federal entrou com uma série de auxílios, inclusive para o setor do transporte público. Uma parte dos impostos da folha de pagamento do transporte público foi reduzida durante a pandemia, por meio de uma ação do governo federal. E é exatamente esse o caminho que nós estamos buscando. Em vez de colocar esse preço, nesse momento tão difícil de pandemia, na conta da população, nós vamos chamar a responsabilidade do Município para que a gente possa encontrar a solução para esse impasse em relação aos rodoviários e os empresários sem prejudicar a população. Não tem dificuldade. A diferença é de onde vão sair os recursos, se é do bolso da população, ou se é da Prefeitura de São Luís por meio de um programa social que vai atender as pessoas. Então, o recurso é o mesmo. O mesmo recurso que sair do aumento de tarifa, é o que vai sair do auxílio emergencial da prefeitura. Então, nós vamos garantir, na verdade, através de uma ação social, que recursos entrem no sistema público de saúde, especialmente no transporte coletivo, para evitar que haja um aumento de passagem num momento tão difícil da população, que é esse momento de pandemia”, ressaltou.

Não há informações até o momento sobre qual será o valor de bônus assegurado mensalmente a cada cidadão que for atendido pelo benefício.

Também não há informações sobre os critérios para que o cidadão tenha acesso ao auxílio emergencial.

Dificuldade - Em nota pública divulgada no domingo, 24, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) reafirmou a intenção de buscar uma solução negociada e pacífica que leve ao fim da greve de trabalhadores rodoviários.

A entidade diz que continuará participando de todas as audiências e reuniões com a intenção de encerrar o movimento, dando cumprimento à decisão da Justiça do Trabalho que determinou a circulação de 100% da frota de ônibus da capital.

Por outro lado, o SET ressalta que os sucessivos aumentos de preços dos combustíveis, principal insumo do setor, inviabilizam a concessão de reajuste salarial aos trabalhadores rodoviários neste momento.

A entidade reitera que em todas as audiências apelou para que a paralisação chegue ao fim, de modo a evitar mais transtornos à população, tendo em vista o caráter essencial da atividade.




Fonte: Imirante

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