Camponês é morto com tiro no peito na porta de casa no interior do Maranhão

João de Deus Moreira Rodrigues tinha 51 anos e foi morto por dois pistoleiros em Arari — Foto: Reprodução/TV Mirante


A disputa pela posse de terras continua fazendo vítimas, no interior do Maranhão. O Estado é segundo do país, em número de conflitos agrários. Só neste ano, já foram registrados cinco assassinatos. O último caso foi registrado na noite de sexta-feira (29) a noite, na zona rural de Arari, a 165 km de são Luís.

O camponês João de Deus Moreira Rodrigues, de 51 anos de idade, não conseguiu escapar dos tiros disparados por dois pistoleiros e morreu na porta de casa. No dia dois de julho de 2021, outro camponês: Antônio Gonçalo Diniz, de 70 anos, também foi morto por dois pistoleiros em Arari.

Segundo o secretário estadual de Política Agrária da Federação dos Trabalhadores Rurais e Agricultores do Maranhão (FETAEMA-MA), Edimilson Costa da Silva, só em 2021 já foram cinco assassinatos em conflitos no campo no Estado, além de uma tentativa de homicídio, ocorrida em Alto Alegre em julho deste ano.

“No dia 18 de junho de 2021 o senhor Reginaldo Alves e Maria da Luz foram assassinados na zona rural do município de Junco do Maranhão. No mês seguinte, dia dois de julho, o senhor Antônio Gonçalves foi assassinado em Arari. No dia seguinte, no dia três de julho, o ex-diretor do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, de Alto Alegre do Maranhão, sofreu uma tentativa de homicídio e em 11 de julho o senhor José Francisco de Araújo, o ‘Vanu’, foi assassinado na porta de sua residência na zona rural de Codó, e mais recentemente, no dia 29 de outubro o senhor João de Deus foi assassinado em frente de sua residência na zona rural de Arari no Povoado Santo Antônio”, relatou Edimilson Costa da Silva.

A cidade de Arari se tornou um território de constantes conflitos no campo. No ano 2020, pai e filho foram assassinados por quatro pistoleiros. Juscelino Fernandes e Wanderson de Jesus Fernandes eram lideranças e militantes sociais dos fóruns e redes de cidadania na comunidade Cedro em Arari.

De acordo com a coordenadora da Comissão Pastoral da Terra no Maranhão (CPT-MA), Carla Pereira, o aumento do número de casos de violência no campo no Maranhão é estimulado principalmente pela impunidade. “O que tem acontecido nos campos da Baixada em Arari são assassinatos programados, marcados e o Estado se omite em responsabilizar esses assassinos”.

Para o secretário estadual de Política Agrária da FETAEMA, Edimilson Costa da Silva, a única forma de resolver os conflitos agrários é a titulação de terra para as comunidades e a criação de uma força tarefa pra investigar e punir os grileiros, que expulsam e ameaçam as comunidades rurais. “Somente uma ação integrada que congregue regularização fundiária nas áreas com maior intenção social, investigações selenes e proteção das lideranças das comunidades ameaçadas poderá fazer cessar tais gravíssimas situações de violência contra trabalhadores e trabalhadoras rurais”.

Sobre a morte de João de Deus Moreira Rodrigues, a Polícia Civil disse que intimou pessoas em Arari e que uma equipe faz os levantamentos iniciais para que os exames periciais necessários sejam solicitados. Já a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (SEDIHPOP) disse que tem atuado na resolução dos conflitos no campo.





Fonte: G1MA




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