Famílias denunciam taxas, preços abusivos e comércios negando o uso do Cartão Alimentação em São Luís

Cartão Alimentação é uma forma usada pela Prefeitura para entregar os recursos da merenda escolar durante a pandemia — Foto: Divulgação/Prefeitura de São Luís

Centenas de famílias estão reclamando de problemas com o uso do Cartão Alimentação Escolar e até taxas cobradas por pequenos comerciantes para a realização das compras.

O confecção do cartão é uma medida da Prefeitura de São Luís para devolver à população os recursos da merenda escolar durante a pandemia, já que a maioria das unidades de ensino seguem fechadas e ofertando aulas apenas à distância, ou de forma híbrida.

Na prática, cada família poderia receber um cartão por aluno matriculado na rede municipal de ensino. Somando valores que não eram pagos desde agosto, um total de R$ 400 reais foi creditado nos cartões para que cada família possa comprar a própria comida, neste final de ano. Ao todo, foram distribuídos mais de 86 mil cartões.

Segundo a Prefeitura, há uma rede de comércios de bairro credenciada para receber compras feitas com o Cartão Alimentação Escolar. Porém, as famílias dizem que a quantidade de comércios é insuficiente, que faltam produtos nos pequenos mercadinhos, e que se sentem humilhados passando por enormes filas nos locais que aceitam o cartão.
"Fui receber o Cartão Alimentação Escolar na data de ontem e fui atrás da rede credenciada divulgada pela Prefeitura de São Luís e SEMED. Estive em vários comércios na Cidade Olímpica e Vila Riod, entre outros estabelecimentos, e todos foram enfáticos em dizer que estavam sim credenciados, mas solicitaram descredenciamento por falta de pagamento. E, alguns dos outros citados na lista da Rede Credenciada nem sequer encontramos, como no caso de alguns que constam como da Avenida Brasil, onde percorri toda a avenida e questionei aos comerciantes da área. Todos diziam que nem sabiam se existam tais comércios naquela avenida", afirmou o pai de uma aluna da rede infantil, que não quis se identificar.
Na última sexta-feira (17), o JM2 também mostrou a dificuldade que as famílias estavam passando para comprar comida com o Cartão Alimentação. Houve até relatos de comerciantes aumentando o preço dos produtos de propósito.

"Estão caras as coisas. Eles [comerciantes] estão se aproveitando", disse a dona de casa Rosilene da Silva.

Para piorar a situação, algumas donas de casa denunciam que há estabelecimento cobrando 10% em cima do valor da compra pela operação.

"Estão cobrando 10% em cada compra que a gente fizer. É um absurdo e um roubo. Porque se deram quatrocentos reais para gente fazer uma compra digna para nossas crianças, eu acho que isso que estão fazendo não é correto. É errado", declarou a dona de casa, Daniele Lemos.

À TV Mirante, a Prefeitura de São Luís disse apenas que não tem responsabilidade pelos preços dos produtos nos mercados.

Ao g1, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) disse que não há registro de descredenciamento de mercados e supermercados que aderiram ao recebimento do Cartão Alimentação Escolar. Sobre a falta de comércios cadastrados, a Semed afirmou que determinou à empresa contratada a ampliação do número de estabelecimentos credenciados para receber o Cartão Alimentação Escolar.

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