Casal que agrediu jovem negro no MA é denunciado por tentativa de homicídio triplamente qualificado

O empresário Jhonnatan Silva Barbosa e a dentista Ana Paula Vidal, foram indiciados por tentativa de homicídio, com pena que varia de 6 a 20 anos de prisão. — Foto: Divulgação

Após o indiciamento pela Polícia Civil, o Ministério Público do Maranhão ofereceu denúncia contra Jhonnatan Silva Barbosa e Ana Paula Costa Vidal, por tentativa de homicídio triplamente qualificado, após a dupla agredir o jovem Gabriel da Silva Nascimento, na manhã do dia 18 de dezembro.

O crime foi cometido dentro do próprio carro da vítima, em frente de onde ele morava, em Açailândia, na região sudoeste do Maranhão. Para o Ministério Público, houve a intenção de matar, e só não foi consumado porque um vizinho impediu as agressões. A pena para o crime é de 12 a 30 anos de prisão, de acordo com o Código Penal.

A promotora de Justiça, Fabiana Santalucia Fernandes, afirmou que os delitos cometidos pelos acusados são tipificados como tentativa de homicídio triplamente qualificado, já que tentaram asfixiar a vítima por motivo torpe, dificultando sua defesa, o que não levou à morte do jovem porque houve interferência.

“Os agressores perguntaram à vítima o que ele estava fazendo. Em vez de ao menos tentar confirmar as informações, passaram a desferir covardemente diversos empurrões, socos e chutes contra ele, tentando claramente matá-lo por motivo torpe, fulcrado em preconceito de raça/cor, com emprego de asfixia e mediante recurso que dificultou sua defesa. Estas condutas configuram crime triplamente qualificado”, disse a promotora.

A Polícia Civil, que já concluiu as investigações, pediu pela prisão preventiva de Jhonnatan Silva, pois há indícios de que o agressor possa tentar fugir. O inquérito aponta que a dupla tentou sufocação indireta ao permanecer com parte do corpo sobre o tórax da vítima.

O crime aconteceu no dia 18 de dezembro de 2021, quando Jhonnatan e Ana Paula agrediram Gabriel, acusando-o de tentar roubar o próprio carro. Os indiciados moram no mesmo prédio em que o jovem residia.


Imagens de câmeras de segurança flagraram o momento em que Jhonnatan e Ana Paula mandam Gabriel sair do carro. O jovem sai e coloca as mãos para cima, em sinal de rendição. Depois, passa a ser agredido com socos, chutes e pisões, tapas, sendo que Ana Paula chega a colocar os joelhos na barriga da vítima, enquanto Jhonnatan pisa o pescoço do jovem.

Gabriel afirma ter dito aos agressores que era dono do carro e que o documento dele estava dentro do veículo, porém eles não deram atenção e o agrediram.

“Foi aqui que eu achei que iria morrer. É no momento que ele sobe em cima de mim, junto com ela, com os joelhos... Ali é sufocante, porque ela manda ele me imobilizar, pisando no meu pescoço. Eu me senti sem ar”, disse o jovem em entrevista ao Fantástico.

A sessão de espancamento só parou quando um vizinho viu a situação e reconheceu que a vítima morava no prédio e era dono do carro de onde foi retirado.

De acordo com Gabriel, ele estava a caminho da confraternização da empresa em que ele trabalha como recepcionista e havia comprado o carro há 2 meses.

Gabriel Silva foi apontado como ladrão e agredido dentro do condomínio onde mora — Foto: Reprodução/Redes Sociais


No dia das agressões, Gabriel foi à delegacia para fazer um boletim de ocorrência, mas, em três tentativas diferentes, foi informado de que o sistema estava fora do ar. Por isso, só conseguiu registrar a queixa no dia seguinte, o que impediu a prisão em flagrante dos agressores. Gabriel afirma ainda que as agressões podem ter sido motivadas pelo fato de ele ser negro.

"Eu quero que aconteça a justiça. É revoltante uma situação dessa, por achar que, por ser magro, negro, não poderia ter um carro. Quero que haja justiça porque isso não pode acontecer com as pessoas. Se fecharmos os olhos, pode acontecer até pior até com um familiar nosso. Isso é racismo. É crime", declarou Gabriel.

Para o advogado de Gabriel, o racismo é evidente. "Foi um caso de racismo. Muitas vezes se busca, para a caracterização de um episódio claro de racismo, a verbalização, a utilização de palavras que denotem o preconceito racial, mas isso não é o padrão brasileiro, baseado em racismo estrutural", defende o advogado Marlon Reis, em entrevista ao Fantástico.

Jhonnatan Silva Barbosa já foi condenado pela Justiça por ter atropelado e matado um senhor de 54 anos, em 2013. Ele foi condenado a 2 anos e 8 meses de prisão, que foram convertidos em serviços comunitários e multa de um terço de um salário mínimo.

Ele foi procurado para se manifestar sobre o caso de Gabriel, mas se negou a falar com a imprensa sobre o caso. Já Ana Paula Vidal pediu desculpas, por meio de nota, e disse que não teve uma atitude racista.

Já Gabriel se mudou do prédio que morava, pois ele pertence à família de Ana Paula. Com medo, o jovem teve acompanhamento da polícia para retirar seus pertences do local.




Fonte: G1

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