Caso Cleidenilson: Três réus são condenados por lesão corporal contra cúmplice no assalto em São Luís

Foto de Cleidenilson ensanguentado e amarrado a um poste repercutiu em todo o país — Foto: Biné Morais/O Estado

A Justiça condenou três homens pelo crime de lesão corporal contra o adolescente de 17 anos que estava com Cleidenilson Pereira da Silva, no dia do assalto a um bar no Jardim São Cristóvão, em 2015.

No dia do assalto, os dois assaltantes foram detidos por moradores e Cleidenilson acabou morrendo após ser torturado. O adolescente só sobreviveu porque fingiu que tinha morrido.

Adolescente que sobreviveu a linchamento presta depoimento no julgamento — Foto: Divulgação/TJ-MA


Ao todo, seis réus haviam sido acusados pelo Ministério Público, a princípio por tentativa de homicídio contra o adolescente. No entanto, durante o julgamento desta quarta-feira (23), os jurados do Júri Popular 'reduziram' a tentativa de homicídio para lesão corporal.

Por causa da nova classificação do crime, coube ao juiz Gilberto de Moura decidir. Ele condenou Ivan Santos Figueiredo, Ismael de Jesus Pereira de Barros e Marcos Teixeira de Barros a três meses de detenção que deverá ser cumprida inicialmente em regime aberto. Os outros réus (Élio Ribeiro, Cícero Carneiro e Waldecir Almeida) foram absolvidos e a defesa não pretende recorrer da decisão.

Homicídio contra Cleidenilson


Nesta quarta-feira (23), os jurados do 2° Tribunal do Júri decidiram por condenar a 13 anos e 9 meses de prisão Ivan Santos Figueiredo, um dos acusados de envolvimento no linchamento e morte de Cleidenilson Pereira da Silva e tentativa de homicídio contra um adolescente no dia 6 de julho de 2015, no bairro Jardim São Cristóvão, em São Luís.

Os demais réus - Élio Ribeiro Soares, Ismael de Jesus Pereira de Barros, Cícero Carneiro de Meireles Filho, Marcos Teixeira Barros e Waldecir Almeida Figueiredo - foram absolvidos.

O julgamento, que foi realizado no Fórum Desembargador Sarney Costa, em São Luís, começou na manhã dessa terça-feira (22) e só terminou na madrugada desta quarta-feira (23). A acusação foi feita pelo promotor de justiça Rodolfo Reis, e na defesa atuaram os advogados Ítalo Leite, Luanna Andrade, Paulo Sérgio Ribeiro e Nathan Chaves.

Ao todo, foram arroladas 18 testemunhas do caso, sendo que a primeira delas a ser ouvida foi uma das vítimas, que na época do crime era adolescente, com 17 anos de idade. O pai de Cleidenilson acompanhou a sessão de julgamento desde o início.

Duas sessões


Devido à quantidade de testemunhas a serem ouvidas perante o Tribunal do Júri, sendo previsível o alongamento da sessão de julgamento, no caso de todos os acusados serem submetidos a julgamento em sessão única, o magistrado desmembrou o processo para julgamento em duas sessões.

Em dezembro de 2020 houve a primeira sessão do julgamento, sendo que os réus Alex Ferreira da Silva, Raimundo Nonato Silva e Felipe Dias Diniz foram absolvidos em júri popular, por não existir prova suficiente para a condenação.

O júri dos demais réus ocorreria dois dias depois, em 3 de dezembro de 2020, mas foi adiado por causa da pendência de julgamento, pelo Tribunal de Justiça do Maranhão, de pedido de suspeição do magistrado feito pela defesa. O TJ não acolheu o pedido, e o júri teve início nessa terça (22).

Crimes


Os acusados foram pronunciados, ainda em outubro de 2017, para irem a júri popular pelos crimes de homicídio consumado, na sua forma qualificada, por uso de meio cruel e de recurso que dificultou a defesa do ofendido, assim como homicídio qualificado por uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa do ofendido, na sua forma tentada (tentativa de homicídio), conforme a denúncia do Ministério Público, recebida pela 2ª Vara do Júri no dia 6 de junho de 2016.

Todos os réus foram interrogados em Juízo. De acordo com a denúncia, os acusados assassinaram Cleidenilson Pereira da Silva, conhecido como ‘Xandão’ e tentaram matar o adolescente A.G.T, mediante espancamentos, com chutes, socos e pontapés, pauladas e gargalo de garrafa, conforme atestam os laudos de exame cadavérico e lesões corporais que constam nos autos.

Ao chegar na frente do restaurante, onde estavam sentados em uma mesa e almoçando, os acusados Élio Ribeiro, Raimundo Nonato Silva e uma testemunha, Cleidenilson Pereira entrou e anunciou o assalto, apontado a arma em direção ao dono do estabelecimento, ficando o adolescente dando cobertura ao assalto e observando a movimentação de pessoas lado de fora do restaurante.

Os crimes ocorreram na rua Coronel Abílio ou Jaime Costa, no bairro Jardim São Cristóvão, em São Luís. Consta nos autos que o adolescente A.G.T e Cleidenilson Pereira da Silva, que portava um revólver, estavam conduzindo suas respectivas bicicletas na rua Coronel Abílio, no bairro do São Cristóvão, quando resolveram assaltar, à mão armada, o restaurante de propriedade do acusado Waldecir Almeida.

Houve uma correria generalizada no local. O adolescente A.G.T tentou fugir em sua bicicleta, mas foi derrubado por uma pessoa. Ainda, de acordo com as testemunhas, foi nesse momento que os réus começaram a violência contra Cleidenilson Pereira e o adolescente que, de pretensos réus no crime de roubo, passaram e ser vítimas de linchamento.

Um dos acusados empurrou uma mesa na direção Cleidenilson Pereira e, em ato contínuo, outros dois o impediram de efetuar disparos no local. Segundo provas testemunhais, Cleidenilson Pereira ainda tentou efetuar alguns disparos, mas os mecanismos que deflagram tiros do revólver não funcionaram e a arma falhou no momento em que foi acionado o gatilho.

Conforme a denúncia, após as vítimas terem sido contidas em suas ações criminosas, o denunciado Ivan Santos Figueiredo, filho de Waldecir Almeida, saiu de dentro de sua residência, localizada ao lado do restaurante do pai, e passou a agredir Cleidenilson Pereira com inúmeros socos e chutes.

O acusado Élio Ribeiro também passou a agredir Cleidenilson Pereira, que estava sendo segurado por outras pessoas. Em seguida, os denunciados levaram Cleidenilson Pereira para o outro lado da rua, e na sequência Élio Ribeiro quebrou uma garrafa de cerveja na cabeça da vítima e enfiou o gargalo no rosto do rapaz, fazendo com que espirrasse sangue por toda a calçada.

Na sequência, colocaram o adolescente no chão ao lado de Cleidenilson Pereira, que estava completamente despido, já sangrava muito pelo rosto e foi amarado a um poste, e então jogaram a bermuda ensanguentada de vítima no rosto do adolescente que estava com as mãos e os pés amarrados, para que ele não observasse o que estava acontecendo no local.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, O acusado Ivan Santos passou a agredir fisicamente A.G.T que se fingiu de morto. O espancamento, segundo os autos, foi realizado com a ajuda de outros acusados.

Ao fim das agressões, uma viatura da Polícia Militar, que havia sido acionada via CIOPS, chegou ao local onde as vítimas estavam amarradas, e Cleidenilson Pereira já estava morto.

O crime teve repercussão nacional e internacional pela crueldade da agressão sofrida pela vítima. Após ter sido agredido, Cleidenilson foi despido e amarrado a um poste até a morte. A foto emblemática que registrou o crime gerou revolta.


Fonte: G1

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