Um dos acusados de agredir homem até a morte é condenado a mais de 13 anos de prisão; os outros réus foram absolvidos

Nesta quarta-feira (23), os jurados do 2° Tribunal do Júri decidiram por condenar a 13 anos e 9 meses de prisão Ivan Santos Figueiredo, um dos acusados de envolvimento no linchamento e morte de Cleidenilson Pereira da Silva e tentativa de homicídio contra um adolescente no dia 6 de julho de 2015, no bairro Jardim São Cristóvão, em São Luís.

Os demais réus - Élio Ribeiro Soares, Ismael de Jesus Pereira de Barros, Cícero Carneiro de Meireles Filho, Marcos Teixeira Barros e Waldecir Almeida Figueiredo - foram absolvidos.

O julgamento, que foi realizado no Fórum Desembargador Sarney Costa, em São Luís, começou na manhã dessa terça-feira (22) e só terminou na madrugada desta quarta-feira (23). A acusação foi feita pelo promotor de justiça Rodolfo Reis, e na defesa atuaram os advogados Ítalo Leite, Luanna Andrade, Paulo Sérgio Ribeiro e Nathan Chaves.

Caso Cleidenilson Pereira: acusados de agredir homem até a morte são julgados em São Luís; vítima foi amarrada nua em um poste — Foto: Divulgação/TJ-MA

Ao todo, foram arroladas 18 testemunhas do caso, sendo que a primeira delas a ser ouvida foi uma das vítimas, que na época do crime era adolescente, com 17 anos de idade. O pai de Cleidenilson acompanhou a sessão de julgamento desde o início.

Duas sessões


Devido à quantidade de testemunhas a serem ouvidas perante o Tribunal do Júri, sendo previsível o alongamento da sessão de julgamento, no caso de todos os acusados serem submetidos a julgamento em sessão única, o magistrado desmembrou o processo para julgamento em duas sessões.

Em dezembro de 2020 houve a primeira sessão do julgamento, sendo que os réus Alex Ferreira da Silva, Raimundo Nonato Silva e Felipe Dias Diniz foram absolvidos em júri popular, por não existir prova suficiente para a condenação.

O júri dos demais réus ocorreria dois dias depois, em 3 de dezembro de 2020, mas foi adiado por causa da pendência de julgamento, pelo Tribunal de Justiça do Maranhão, de pedido de suspeição do magistrado feito pela defesa. O TJ não acolheu o pedido, e o júri teve início nessa terça (22).

Crimes


Os acusados foram pronunciados, ainda em outubro de 2017, para irem a júri popular pelos crimes de homicídio consumado, na sua forma qualificada, por uso de meio cruel e de recurso que dificultou a defesa do ofendido, assim como homicídio qualificado por uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa do ofendido, na sua forma tentada (tentativa de homicídio), conforme a denúncia do Ministério Público, recebida pela 2ª Vara do Júri no dia 6 de junho de 2016.

Todos os réus foram interrogados em Juízo. De acordo com a denúncia, os acusados assassinaram Cleidenilson Pereira da Silva, conhecido como ‘Xandão’ e tentaram matar o adolescente A.G.T, mediante espancamentos, com chutes, socos e pontapés, pauladas e gargalo de garrafa, conforme atestam os laudos de exame cadavérico e lesões corporais que constam nos autos.

Os crimes ocorreram na rua Coronel Abílio ou Jaime Costa, no bairro Jardim São Cristóvão, em São Luís. Consta nos autos que o adolescente A.G.T e Cleidenilson Pereira da Silva, que portava um revólver, estavam conduzindo suas respectivas bicicletas na rua Coronel Abílio, no bairro do São Cristóvão, quando resolveram assaltar, à mão armada, o restaurante de propriedade do acusado Waldecir Almeida.

Ao chegar na frente do restaurante, onde estavam sentados em uma mesa e almoçando, os acusados Élio Ribeiro, Raimundo Nonato Silva e uma testemunha, Cleidenilson Pereira entrou e anunciou o assalto, apontado a arma em direção ao dono do estabelecimento, ficando o adolescente dando cobertura ao assalto e observando a movimentação de pessoas lado de fora do restaurante.

Um dos acusados empurrou uma mesa na direção Cleidenilson Pereira e, em ato contínuo, outros dois o impediram de efetuar disparos no local. Segundo provas testemunhais, Cleidenilson Pereira ainda tentou efetuar alguns disparos, mas os mecanismos que deflagram tiros do revólver não funcionaram e a arma falhou no momento em que foi acionado o gatilho.

Houve uma correria generalizada no local. O adolescente A.G.T tentou fugir em sua bicicleta, mas foi derrubado por uma pessoa. Ainda, de acordo com as testemunhas, foi nesse momento que os réus começaram a violência contra Cleidenilson Pereira e o adolescente que, de pretensos réus no crime de roubo, passaram e ser vítimas de linchamento.

Conforme a denúncia, após as vítimas terem sido contidas em suas ações criminosas, o denunciado Ivan Santos Figueiredo, filho de Waldecir Almeida, saiu de dentro de sua residência, localizada ao lado do restaurante do pai, e passou a agredir Cleidenilson Pereira com inúmeros socos e chutes.

Foto de Cleidenilson ensanguentado e amarrado a um poste repercutiu em todo o país — Foto: Biné Morais/O Estado


O acusado Élio Ribeiro também passou a agredir Cleidenilson Pereira, que estava sendo segurado por outras pessoas. Em seguida, os denunciados levaram Cleidenilson Pereira para o outro lado da rua, e na sequência Élio Ribeiro quebrou uma garrafa de cerveja na cabeça da vítima e enfiou o gargalo no rosto do rapaz, fazendo com que espirrasse sangue por toda a calçada.

Na sequência, colocaram o adolescente no chão ao lado de Cleidenilson Pereira, que estava completamente despido, já sangrava muito pelo rosto e foi amarado a um poste, e então jogaram a bermuda ensanguentada de vítima no rosto do adolescente que estava com as mãos e os pés amarrados, para que ele não observasse o que estava acontecendo no local.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, O acusado Ivan Santos passou a agredir fisicamente A.G.T que se fingiu de morto. O espancamento, segundo os autos, foi realizado com a ajuda de outros acusados.

Ao fim das agressões, uma viatura da Polícia Militar, que havia sido acionada via CIOPS, chegou ao local onde as vítimas estavam amarradas, e Cleidenilson Pereira já estava morto.

O crime teve repercussão nacional e internacional pela crueldade da agressão sofrida pela vítima. Após ter sido agredido, Cleidenilson foi despido e amarrado a um poste até a morte. A foto emblemática que registrou o crime gerou revolta.


Fonte: G1

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